Responsabilidade Social Corporativa – projeto com o UNICEF que deu orgulho

December 29, 2011 Category :Austrália 0

Que toda corporação hoje em dia deveria se envolver com algum projeto de responsabilidade social todo mundo já sabe, mas bacana mesmo é quando seu trabalho te proporciona a possibilidade de implementar os conceitos de RSC e meter a mão na massa para ajudar os outros.

A empresa em que trabalho hoje  realiza projetos interessantíssimos com o UNICEF e trabalhar com uma organização deste porte dá muito orgulho além de ser um grande aprendizado. A verdade é que ONG que quer dar certo e se manter ativa tem que entender as regras do mercado e um bocado de marketing e é assim com o UNICEF. Eles entendem o próprio público-alvo : empresas e corporações dispostas a doar quantias consideráveis pela parceria com a marca – um trabalho de branding valioso, que fortalence a marca com o público externo e interno – não somente eu como vários de meus colegas morremos de orgulho de trabalhar em uma empresa que realiza projetos que ajudam pessoas em países em desenvolvimento.

Verdade seja dita, eu sou a única profissional do time de marketing que é proveniente de um país em desenvolvimento e confesso que me até pouco tempo achava que eu tinha mais propriedade para entender o quanto estas iniciativas são importantes até que descobri que faço muito menos que muitos de meus colegas do primeiro mundo. Mas isso dá um outro post, voltemos ao UNICEF e à campanha.

Desenvolvemos uma pequena campanha em Outubro de 2011 intitulada School-in-a-Box para doar kits escolares para comunidades pobres de áreas em conflito na África. Quem entrasse em um dos nossos websites de e-commerce e fizesse transações acima de $1,000 dólares já podia contar com uma caixa de materiais sendo enviada. A campanha durou pouco, mas arrecadou cerca de 70 kits – cada um deles oferece material suficiente para ajudar na educação de 80 crianças, ou seja, teoricamente ajudamos 5600 crianças . Foi um projeto super bacana. Envolveu muitas das coisas com as quais eu adoro trabalhar – comunicação, marketing e responsabilidade social. O mais legal de tudo foi ver o engajamento real e honesto por parte dos meus colegas e da direção da empresa – fazer dinheiro não era o principal objetivo e sim promover os projetos fantásticos do UNICEF. Talvez porque lá seja uma empresa menor, familiar, a participação nos projetos do UNICEF mobilizou de fato todos os funcionários, mesmos os que não trabalharam diretamente na campanha e deu para ver, mais uma vez, que organizações são feitas de pessoas, com um coração e muita vontade de ajudar verdadeiramente comunidades menos abastadas.

É óbvio que a campanha proporcionou branding e gerou exposição para nossos produtos e para a empresa. Fazer parceria com uma empresa como o UNICEF tem suas vantagens e não há nada de errado nisso. Obviamente, mascar uma postura empresarial falha com projetos sociais não é correto, mas nem todo envolvimento organizacional tem que vir cheio de sengundas e terceiras intenções – dá para ser socialmente responsável sem ser hipócrita, e não vejo nenhum problema em ser gratificado por isso tendo como resultado uma marca fortalecida, cuja percepção no mercado é a mais positiva possível. Ganham as empresas, ganham as ONGs e a sociedade.

Quem quiser fazer doações diretamente para o UNICEF pode entrar no site deles e fazer a transação lá mesmo. Eu não encontrei o kit do School-in-a-Box para ser doado no website do UNICEF Brasil, mas existem várias outras formas de ajudar como doando diretamente, ou comprando na loja virtual do UNICEF.

Além disso, você pode colocar o banner do UNICEF no seu blog ou website – conversei com o coordenador de campanhas do UNICEF Austrália e ele foi taxativo ao dizer que espalhar a mensagem da ONG é uma das melhores formas de ajudar a ONG, além das doações em dinheiro claro, que permitem com a empresa continue atuando.

Então, se você fica se perguntando como pode fazer algo para melhorar o mundo aqui vai  o website do UNICEF Brasil - http://www.unicef.org.br/

UNICEF Austrália e a campanha que apoiamos – http://www.unicef.org.au/Charity-Gifts/School-in-a-Box.aspx

O time todo junto apoiando a campanha com o UNICEF - deu orgulho! :)

Share

Pensando em morar na Austrália?

December 26, 2011 Category :Austrália 0

Me permito mudar de opinião. Hoje me dói menos certas incertezas e acho que é porque amadureci um bocado. Publiquei vários textos, em vários lugares, que apaguei por vários motivos. O texto abaixo foi deletado por três razões específicas – primeiro, porque sendo um pouco polêmico, gerou comentários que pela falta de tempo,  saco ou disciplina eu acabava demorando um bocado a responder, comprometendo o que eu achava ser o objetivo democrático de se ter um blog.

Segundo, porque  uma amiga desistiu de viajar, de conhecer a Austrália e obviamente se conhecer melhor, e eu fiquei achando que tive alguma influência no processo (ainda não sei se de forma mais positiva ou negativa). Ela casou antes de ir ver o mundo e não que o compromisso tenha que impedir completamente uma pessoa de viver grandes e deliciosas aventuras, mas sei lá, fiquei achando que a interpretação foi errônea e pode ter privado uma pessoa de fazer uma grande viagem.

Terceiro, porque as pessoas mudam e hoje eu acho que todo mundo deveria ir morar fora por um período, ir para qualquer lugar e ficar o tempo necessário para se tornarem melhores. Melhores pessoas, profissionais, filhos, amigos, viajantes, turistas, colegas de quarto. Acho que morar fora proporciona momentos únicos e situações tão inusitadas que te fazem crescer bastante (se você quiser). Seria arrogância minha achar que somente a minha experiência é válida, ou que não seguir um caminho que eu considero de sucesso invalide a viagem de outras pessoas.

A experiência de morar fora é muito pessoal e convenhamos que para alguns, aprender a fritar um ovo e a fazer a própria cama já é um resultado positivo – conheço gente que morou 1 ano fora, comendo sardinha com maionese todos os dias por pura preguiça de aprender a cozinhar. Triste! Além disso, eu mesma ainda estou em um processo lento e contínuo de aprendizado, que inclui aprender a ser brasileira no exterior.

Eu deletei o texto, como fiz com vários outros – perdi os comentários, positivos e negativos, mas hoje estou repostando-o por um motivo único. Gosto dele. Além disso, convenhamos que não é culpa minha se alguém quis usar a mim ou qualquer outra pessoa como bode espiatório para justificar a falta de culhões para deixar a própria zona de conforto. Interprete, entenda como quiser (confesso no entanto que fiz modificações, mas mais para alinhá-lo com o que penso hoje)

Ainda concordo com alguns pontos, não com todos, o que mostra que a minha viagem e meu auto-conhecimento ainda continuam e que mereço ter meu espaço para registrar o meu próprio amadurecimento. Afinal, este é meu canto de experimentações. Deletar e repostar textos faz parte do processo.

Texto publicado em Junho de 2010

Porquê muitos brasileiros deveriam ficar no Brasil

Antes de pré-julgar o post por conta do título acima, respire fundo e se comprometa a ler até o final …ótimo, melhor assim. Muita gente me pergunta como é morar na Austrália e para a grande maioria das pessoas que está pensando em vir (só tenho propriedade para falar daqui, porque é onde moro) tenho um conselho a dar: Não venha! Isso mesmo! Brasileiros, por favor, párem de vir para a Austrália! Fiquem aí no Brasil!

Bom, para quem pensou que eu não gosto do Brasil ou de brasileiros, vamos lá, continue lendo, porque é exatamente o contrário. As pessoas têm motivações variadas e se organizam diferentemente com relação aos planos pessoais e profissionais. Posso dizer com firmeza que muitos vêm morar aqui, ou vão para outros lugares do mundo de forma desorganizada e a resultante é um misto de frustração, perda do investimento e da oportunidade e a grande maioria sequer percebe que poderia ter tido uma experiência inúmeras vezes mais enriquecedora. É para estas pessoas que este post serve (ou para você que conhece alguém assim que está indo morar fora).

Eu não conheço todos os brasileiros que moram na Austrália, obviamente. Muitos têm histórias e trajetórias mais complexas do que um post de blog me permitiria contemplar sem tornar o texto interminável, mas uma coisa pude notar enquanto morei em Brisbane e ainda vejo hoje que moro em Sydney: 99% dos brasileiros latinos chegam aqui com uma visível baixa auto-estima com relação aos profissionais qualificados de outras nações. É isso! E antes de vestir a camisa verde-amarela e gritar Brasil!, deixe eu me explicar melhor, continue lendo…

Uma parte de cada um de nós, morre de orgulho de sermos brasileiros. Abrimos um sorriso largo quando alguém nos pergunta de onde somos e respondemos prontamente, com os olhos brilhando e já esperando uma recepção positiva : ” Brazil! I am brazilian”! Morremos de orgulho do nosso futebol e do nosso samba; da beleza do Rio de Janeiro e do carnaval, de São Paulo e sua economia vibrante, do carisma que emanamos e de sermos um povo tão receptivo e acolhedor. De termos sangue latino e podermos dançar com desenvoltura e graça enquanto os gringos se atrapalham tentando imitar nossos passos. Da bossa nova, da MPB,  da Amazônia. De muitos de nossos escritores. De termos uma terra abençoada e bonita por natureza. De sermos um povo alegre, que ri da própria desgraça.

Temos uma infinidade de coisas das quais nos orgulhamos (geralmente os grandes clichês mencionados acima) mas a verdade é que, por descuido ou hábito, acabamos nos prendendo patologicamente às piores características do nosso país. Cada brasileiro, independetemente do estado do qual veio,  sabe identificar uma ou outra qualidade e enumerar um milhão de defeitos.

Nós temos orgulho sim, de algumas das características acima dentre outras, mas não nos julgamos capazes (ao menos a princípio) de competir em pé de igualdade com profissionais provenientes de países desenvolvidos, principalmente se competindo com profissionais que tem inglês como primeira língua. Generalizações à parte e considere que este texto o reflexo das impressões que tive até agora, esta é a sensação da maioria dos profissionais que chegam aqui e estão morando fora do Brasil pela primeira vez. Engenheiros, Médicos, Publicitários, Jornalistas, Advogados, Profissionais de Marketing, Administradores de Empresa. Não importa a formação, a experiência antrerior. Chegam todos aqui dispostos a trabalhar de cleaner (faxineiro, geralmente limpando banheiros de escritórios), motoristas, entregadores de pizza, pedreiros, vendedores de sorvete. E é assim que é para a grande maioria, principalmente para aqueles que chegam sem falar nada de inglês. Profissionais com boa formação acadêmica, capacitados para atuar em suas respectivas áreas, lavando pratos ou privadas. Se sujeitando a posições infinitamente inferiores às que teriam no Brasil, evoluindo pouco profissionalmente e em muitos casos minimamente no aprendizado da língua.

E por isso que repito, mais uma vez: Brasileiros, párem de vir para cá!! A menos que você compreenda verdadeiramente o movito pelo qual você quer vir, fique no Brasil, estude a língua aí, adquira a experiência necessária para atuar na sua área e se aplique do Brasil para uma posição, com o visto já garantido. Conversando com um casal de amigos francês, um deles pontuou um fato irrevogável: ” com a formação que muitos brasileiros têm, o melhor lugar para se estar é lá, no Brasil. Ou em algum outro país que pague um salário tão alto e ofereça uma qualidade de vida tão acima que compense deixar para trás família e amigos”. Fato!

Eu disse para meu amigo francês que para ele que mora em um país europeu as coisas são mais fáceis e a vida menos difícil, que é simples, para ele, falar em orgulho, em auto-promoção, enquanto nós, bom, se voltarmos, estamos mal pagos e em piores condições que aqui.

Bom, isso não é de todo verdade.

Era também em mim, este bichinho chato da auto-depreciação que todo brasileiro tem dentro de si que me fez formular o pensamento acima, como se nós, por termos os problemas que temos em nosso país, não fóssemos dignos de atuar em pé de igualdade com outros profissionais e por isso, pelo esforço para aprender a língua, deveríamos aceitar prontamente e felizes, posições abaixo das que podemos exercer.

E este meu amigo francês completou, enfático: “Não fico, por nada, em um país que não aprecia meu conhecimento. Se eles não me oferecerem uma colocação apropriada e salário justo, bom, eles que aprendam francês e viagem até a França para adquirir o conhecimento que vim até aqui para oferecer!”  Fiquei achando o máximo o orgulho (que muita gente confunde com arrogância) deste meu amigo francês, e pensei: é isso! Brasileiro têm que parar de se diminuir, de achar que outros países são infinitamente melhores. Isso não é verdade!

Existem uma infinidade de esferas nas quais os australianos estão à frente (como outras em que o Brasil é mais evoluído) e não vou entrar neste mérito agora. Mas o entendimento de que você não precisa do aval de outros povos para ser um bom profissional é para mim o ponto chave. Sabe por que ainda vale a pena morar fora lavando privada? Porque ainda olhamos o currículo de uma pessoa que morou fora com melhores olhos do que de alguém que nunca esteve em outro país. E em alguns casos, eu entendo o porquê. Morar fora PODE, repito, pode ser MUITO enriquecedor. Mas estar somente, morar apenas, não torna um profissional melhor do que outro. A diferença está no que você faz da sua passagem fora.

Bom, esta discussão dá pano para manga e uma infinidade de angulações diferentes, mas vou me ater, neste post, ao motivo inicial. Deixo uma coisa clara. Ninguem aprende inglês do dia para a noite e morar em um país de língua inglesa não o tornará fluente na mesma pelo simples fato de você estar aqui. É preciso muita dedicação, muito estudo e não conheço ninguém que aprendeu a língua do zero até o ponto de fluência para competir por um vaga no mercado, na área de formação, em menos de 2 anos. Aí então, reside a pergunta.O que é que você está vindo fazer aqui, brasileiro?!  Pense, reflita. Entenda que porque você é de um país cheio de desigualdades, você pode ter esta oportunidade e outros não. Venha para cá ou vá para qualquer lugar para absorver conhecimento e trazer  o conhecimento que você tem. Não perca 1 ou dois anos vivendo uma vida fantasiosa, trabalhando em um emprego que pode até ser temporário, mas que está de fato lhe acrescentando muito pouco profissionalmente, só para dizer que morou na Austrália. Muita gente vive aqui sem falar inglês, convivendo apenas com outros conterrâneos (não somente latinos, mas pessoas do mundo todo cometem esse erro) o que torna todo o processo de imigração (ou intercâmbio) ainda mais sem sentido.

Vale a pena vir sim e investir na viagem se você entende o que quer da sua experiência, como aprimorar o conhecimento de inglês que já tem aliado a uma experiência profissional por exemplo. Ou, se a sua vida no Brasil é de fato muito sofrida e você sonha em tentar algo melhor. Entre servir mesas no Brasil ou aqui, bom, venha para cá. Você vai ser mais bem pago, além de ter mais qualidade de vida e segurança.

Morar fora é fantástico e na Austrália,  é possível crescer bastante profisisonalmente e ter sim mais qualidade de vida que no Brasil. Mas isso se você se planejar para entrar  no mercado de trabalho para competir com profissionais do mundo todo.  Não tenha medo de erguer a cabeça e vir para mostrar o que o profissional brasileiro tem para oferecer de positivo, de inovador, seja qual for sua área.

Investir em cursos de inglês caríssimos e renovações de visto, gastar com aluguéis inacreditavelmente caros (e subindo – o aluguel de um quarto em Sydney pode chegar a 1000 reais por mês, para dividir com outra pessoa!), passagem (só a passagem ida e volta é cercade 4 mil reais), ficar longe da família e dos amigos, tudo isso tem que valer muito a pena. Tem que ser um investimento muito acertado ainda que você não saiba cada detalhe da sua trajetória.

Eu acredito que a viagem em si, por mais curta que seja, já abre sua cabeça um bocado. Melhor ainda se você puder levar de volta ideais e visões que possam tornar o nosso país melhor e trouxer para cá uma ideia de Brasil diferente das conversas estereotipadas de país do samba, praia e futebol. Um Brasil rico culturalmente, com profissionais de alta qualificação e muito a acrescentar.

Temos muito mais a oferecer do que farmacêuticos, médicos e engenheiros que limpam privadas ou entregam pão. Não que estas não sejam profissões dignas. Mas dignidade também reside em exercer a profissão para a qual você se preparou e não deixe que ninguém, em nenhuma parte do mundo, diga que você não merece fazê-lo.

Share

Global Leadership Forum – George Clooney entre os palestrantes

December 12, 2011 Category :Achei Bacana| Austrália 0

Acabei de chegar em casa, vinda do Centro de Convenções em Darling Habour, onde aconteceu o Global Leadership Forum, um evento que reuniu palestrantes como George Clooney, Martha Stweart, Russell Simons e Jeff Taylor.  E é este tipo de evento que me enche novamente de vontade de escrever e registrar os detalhes antes que eu me esqueça. Ainda que você não goste do trabalho de Clooney ou Martha,  é extremamente interessante poder participar de um evento como este, junto aos maiores empresários da Austrália, que desembolsaram cada entre $1,100 e 1,400 dólares australianos, cerca de 2,000 reais por ingresso. Eu fui na fita da empresa. Tínhamos um estande do mytraining.net, e como sou gerente do produto fui de graça. Ninguém haverá de negar que passar a segunda à tarde escutando alguns dos maiores empreendedores do mundo é uma oportunidade fantástica.

Todas as palestras foram interessantíssmas, incluindo a de Clooney que hoje é ativista da ONG Not on our watch, algo em português como Não sob a nossa Vista. Ele, muito simpático e sim, extremamente charmoso, explicou alguns detalhes sobre um dos projetos, intitulado Satelite Sentinel Project (SSP), desenvolvido em parceria com o Googgle. Segundo ele, o projeto inclui o monitoramento por satélite de áreas de conflito na África e tem registrado e mostrado ao mundo as atrocidades que vem acontecendo em cidades como Dafur, no Sudão, onde milhares de civis, contrários ao atual regime, tem sido massacrados por tropas do Governo. O Sudão que hoje é dividido entre Norte e Sul, é o maior país africano e, como em muitos países em desenvolvimento, a produção de petróleo trouxe mais conflitos que qualidade de vida para grande parte da população. Cerca de 300.000 pessoas já foram mortas e a ajuda humanitária que chega a estes lugares é muito frágil. O trabalho de George Clooney, segundo ele mesmo e o website de seu projeto, tem ajudado as Nações Unidas a monitorar, via satélite, a situação no país.

Se você quiser saber mais sobre a atual situação do Sudão,  e o projeto de Clooney, aqui vai o link http://notonourwatchproject.org/darfur_background_timeline

A jornalista que entrevistou Clooney fez a ele a pergunta que acho que muitos de nós nos fazemos quando vemos celebridades como ele, Brad Pitt ou Angelina Jolie envolvidos neste tipo de iniciativa, o que pode soar para nós como mais uma jogada de publicidade – será que eles se envolvem mesmo com a causa, ou será que estão tentando se manter sob os holofotes? E a resposta dele foi taxativa, simples e fez todo o sentido para mim – “Profissionais como eles (se referindo a Matt Damon, Angelina Jolie, Brad Pitt e Sean Pean – este último morou 1 ano no Haiti) não precisam de mais fama. Não precisam de holofotes. O que eles querem é projetar naqueles que não tem voz ou luz sobre eles parte desta atenção, difundindo esta luz e colocando os holofotes em causas que importam. E eles não precisavam fazer isso” disse. Achei bacana. E fez sentido. O mundo todo já volta suas câmeras e olhos quando eles saem às ruas. E é ótimo que usem esta exposição para dar suporte a projetos e causas que certamente não teriam tanta vizibilidade sem seu apoio. Achei massa e mudou minha postura com relação a algumas celebridades, posso dizer que torço menos o nariz.

Foi um evento super interessante. Depois escrevo com calma sobre os outros palestrantes. Mas vão aí algumas fotos do evento – tirei com meu celular, então não ficaram tão boas. Mas deu para registrar.

Share

Creative Sydney – Consumo Colaborativo

July 18, 2011 Category :Mídias Socias e Comunicação 0

Collaborative Consumption, em português, Consumo Colaborativo, é um movimento ou série de iniciativas que sustenta o uso comum de bens e espaços e tem sido objeto de estudo da escritora e consultora americana Rachel Boston, uma das palestrantes do Creative Sydney deste ano. O Consumo Colaborativo engloba a rápida explosão da troca, escambo e aluguel de bens e espaços através da tecnologia e do uso de comunidades online e mídias sociais.

De automóveis ao quintal da sua casa ou àquela furadeira que você comprou e usou apenas uma vez, a ideia é o compartilhamento,  usando a web como ferramenta e local de encontro para estas trocas, o que cai muito bem em tempos de aquecimento global e consumo excessivo.  Do e-bay a websites como o Craig’s list, é possível encontrar uma infinidade de espaços virtuais onde a troca de bens, favores e serviços pode ser feita.

A proposta do consumo collaborativo difere do e-commerce no seu objetivo e resultado, ainda que utilize muitas das suas ferramentas para realizar suas atividades.  Enquanto o comércio pela web tem como proposta facilitar e aumentar o volume do consumo através de ferramenats que acelaram o processo de compra, o consumo colaborativo vem com a proposta de trocar, de usar em conjunto e não de possuir. É claro que alguns dos processos pelos quais perpassa também podem ser considerados elementos de e-commerce, mas a proposta deste movimento específico é proporcionar ferramentas que facilitem a utilização momentânea de objetos e espaços, aproximando pessoas (e empresas) com interesses comuns.

Um bom exemplo de como esta iniciativa tem funcionado são as empresas de car sharing como a Go Get , FlexiCar e Zipcar que trabalham com a proposta de possibilitar às pessoas o uso do carro por um curto período de tempo, em que elas devolvem o veículo após utilizado. Bom, e qual a diferença disso para processo de alugar um carro? Várias. No preço, na comodidade, e na efetividade do processo ( pelo menos segundo Rachel, ainda não usei o serviço aqui em Sydney)

É mais conveniente do que alugar um carro e mais barato que possuir um, além claro de desafogar o trânsito – segundo a proposta do Go Get, para cada carro utilizado através deste sistema temos 7 a menos circulando em nossas cidades.

Como funciona

Você se torna membro da comunidade de car sharing (Go Get, Flexi Car) e através da web você reserva o carro que você quer utilizar, pelo período que você precisa. Através do website, é possível encontrar qual o carro mais perto de você (da sua casa ou trabalho) e o tempo de caminhada que você levaria até ele. Após reservar o carro, apenas o seu cartão eletrônico de membro destrava as portas daquele carro específico e é só utilizá-lo para entrar no carro e liberar as chaves. Você usa o carro pelo tempo que foi reservado e depois devolve no mesmo lugar onde encontrou. Fácil assim.

As mensalidades variam entre 9 e 29 dólares por mês, dependendo do quanto você utiliza o carro e as taxas de utilização do carro variam entre 5.25 e 8.25 por hora, ou 68 dólares por dia. Para quem utiliza pouco o carro é uma opção muito interessante já que não há gastos com mecânicos, seguros e combustível, entre outras despesas provenientes de se possuir o próprio automóvel.

Outra opção muito interessante e que já está sendo aplicada aqui em Sydney é a ideia do ride sharing que em São Paulo tem sido chamada de ‘carona solidária’. A proposta é que pessoas que fazem as mesmas rotas todos os dias para o trabalho por exemplo, dividam o mesmo carro, ou seja, ofereçam carona para outros cadastrados, retirando a infinidade de carros das ruas, desafogando o trânsito e diminuindo a emissão de gás carbônico, além da economia para quem participa da comunidade. Enfim, todo mundo sai ganhando.

É óbvio, no entanto, que ainda que estas novas tecnologias sejam muito interessantes, pontos negativos também podem ser identificados. Em uma cidade com altos índices de violência como São Paulo, este tipo de proposta pode não parecer muito tentadora. É complicado disponibilizar na internet todos os dados da suas rotas diárias como no caso do site Caroneiros.com em que é possível saber exatamente onde as pessoas estão indo e os horários. No caso de iniciativas como a Carona Solidária, proposta pelo movimento Nossa São Paulo e parte do Programa Melhor Ar, elaborado pela Believe Comunicação Viva (agência especializada em soluções corporativas sustentáveis), a segurança do processo parece maior já que a iniciativa é voltada para a esfera corporativa e as comunidades de caroneiros são formadas por empregados de uma mesma empresa, o que facilita a confirmação de cadastro verdadeiros e a identificação e rastreamento das movimentações. É importante ficar atento, no entanto, com os websites que se isentam plenamente da responsabilidade pela segurança do serviço, o mesmo deveria ao menos assegurar que a documentação de todos os participantes seja devidamente checada.

Outra proposta interessante que também permea os esforços para diminuir a emissão de poluentes e o número de carros circulando nos grandes centros veio de uma empresa de Bostom, EUA, a RelayRides, e trabalha com a ideia de compartilhamento de carros entre pessoas que utilizam pouco os próprios veículos, e outras que precisam minimamente de um meio de transporte. Quem tem um carro, se cadastra no site para alugar o veículo em momentos em que não está utilizando, quem precisa do carro, procura no website quais estão disponíveis. Mais uma vez, ganha o meio ambiente e os cidadãos, menos carros nas ruas, resulta em menos trânsito e menores índices de poluição atmosférica e sonora, além claro da economia para quem aluga e do lucro para quem disponibiliza o veículo que estaria parado na garagem. Palmas para quem além da crítica, oferece resoluções palpáveis e inteligentes. Resta saber se a iniciativa além de criativa é viável em algumas cidades do mundo onde a segurança pública é um ponto questionável. Em todo caso, vale a pena o debate. :)

Your email:

 

Share

Festival Vivid e Creative Sydney – Mídia Social e Twitter para negócios

July 7, 2011 Category :Mídias Socias e Comunicação 2

Saber aproveitar a riqueza cultural de uma cidade do porte de Sydney é uma das coisas que fazem valer a pena morar em grandes centros (e fora do Brasil). O  ‘ Vivid – ligths, music and ideas festival’, literalmente traduzindo ‘ Vívido – festival da luz, música e ideias’, acontece todos os anos durante duas semanas no mês de junho e traz uma miscelânia cultural que engloba espetáculos de luz, incluindo projeções na Opera House e em vários monumentos arquitetônicos da cidade; shows de música, teatro, filmes,seminários e palestras.

Eu participei no dia 05 de junho, no Museu de arte Contemporânea de Sydney (MCA), de 8 paletras do Creative Sydney, uma série de eventos públicos e gratuitos (parte do Vivid) que trouxeram profissionais de comunicação e criativos (inclua aí publicitátios, jornalistas, profissionais de marketing, artes visuais e designers) e empresários ligados ao setor, além de representantes do governo de NSW e líderes comunitários, para debates que envolviam temas que muito me interessam, incluindo Mídias Sociais.

Tive a oportunidade de ver a palestra rápida, porém interessante do Michael Walsh, um auto-intitulado ‘futurista’ e especialista em mídias sociais que eu já conhecia de uma apresentação  em um evento em Gold Coast. Logo ao sentarmos na área de eventos do MCA avistei Michael, com seu típico terninho clássico/descolado e fiquei entusiasmada por poder ver de perto uma apresentação dele, ali, a menos de 2 metros do pequeno palanque. E o melhor, sem desembolsar um tostão.

A apresentação foi boa, mas não a melhor da tarde – em uma escala de 1 a 8, eu o colocaria em quarto. Ele desenrolou uma série de slides em Key Note, um programa de apresentação de slides para Macintoshes, que já se destacavam por si só pelo  formato inovador, diferente da maioria que usava o bom e velho power point. Alguns pontos foram similares a o que eu já conhecia do trabalho dele, outros, visivelmente atualizados com acontecimentos da semana anterior.

Michael Walsh mostrou o exemplo de uma ação de marketing em Los Angeles, USA, que acredito poder claramente se tornar (se já não foi feito) um belo case study sobre o uso efetivo de mídias sociais como ferramenta de marketing para pequenos negócios. Usando apenas o o twitter como plataforma de divulgação, os donos de um trailer de Korean Taco  (tacos coreanos) chamado Kogi (isso mesmo meu amigo, este é o poder da globalização – tacos coreanos!! ) avisam seus seguidores, que hoje já contam 67 mil,  sobre promoções e sobre o próximo local da cidade onde o trailer irá estacionar e o resultado é incrível. Uma multidão se enfileirando, à noite, para ter acesso ao bendito taco/churrasco* coreano, que diga-se de passagem nem parece tão apetitoso assim.

O dono atribui ao twitter o sucesso de seu negócio, que já está em expansão e conta com 4 trailers e menu mais abrangente. Hoje, o Kogi tem em seu website as coordenadas sobre onde serão as próximas paradas do trailer, mas o twitter ainda é o maior aliado da marca. A ação pode parecer mal-elaborada inicialmente, sem propósito e estratégias bem definidos apesar da criatividade, mas a verdade é que funcionou, engajando o target e mantendo a conexão do mesmo com a marca através da plataforma online, aumentando/criando brand awareness ou  reconhecimento da marca, utilizando uma ferramena barata e que permitiu a proliferação através da rede. Palmas para quem entende que usar mídias socias para promover um negócio nao é  abarrotar os feeds dos amigos/conhecidos com mensagens repetitivas ou insistir para ser seguido em sua página por pessoas que não têm o menor interesse na sua marca.

A palestra que se segue a de Michael Walsh foi na verdade uma das mais interessantes e  fica em segundo lugar no ranking. Rachel Boston,  pós-graduada em  Harvad (o que impressiona, mas admito que só descobri após ver o website dela) escritora e consultora, destrinchou com uma desenvoltura de dar inveja a muito palestrante com anos de carreira, um tema sobre o qual eu já havia escutado um pouco,  mas que é de fato extremamente interessante – Collaborative Consumption, em português, Consumo Collaborativo e que aborda como a forma em que consumimos está mudando radicalmente e como consumidores e empreendedores estão se adaptando (e claro, estimula aí a discussão para muitos comunicólogos).  Mas este tópico vou deixar para o próximo post.

*os coreanos são famosos pelo churrasco e esta marca utiliza a carne de churrasco coreano em receitas mexicanas como tacos, quesadilhas e tortilhas.

Your email:

 

Share

Violência no Rio aparece como Top Trend no Twitter e brasileiros que ajudam a denegrir a imagem do Brasil pelo mundo

December 5, 2010 Category :Brasil| Mídias Socias e Comunicação| Opinião 0

As ações do governo do estado do Rio de Janeiro contra os traficantes das favelas cariocas tomou os jornais no mundo todo e apareceu como top trend da semana no microblog Twitter. Nada mais natural que os veículos de outras partes do mundo tenham interesse em divulgar o que está acontecendo no Rio, o complicado é quando as  ações são mal interpretadas e erroneamente disseminadas. A coisa complica ainda mais quando brasileiros, que moram no exterior (e estrangeiros que moram no Brasil) divulgam constantemente o que tem ocorrido sem a preocupação de esclarecer apropriadamente os fatos.

Me incomoda ver matérias que denigrem a imagem do Brasil em jornais do exterior, mas fato é que não dá para tapar o sol com a peneira e finjir que os problemas não existem, então, compreensível que o burburinho apareça. O que eu acho que não ajuda nem um pouco, no entanto, é quando brasileiros que moram no exterior resolvem postar, insistentemente, em inglês, e para todos os seus zilhões de contatos nas redes sociais, matérias sobre os acontecimentos no Rio.

Deixo claro meu posicionamento: finjir que a violência não existe não é solução, mas ajudar a detonar a imagem do Brasil mundo afora também não!! Já percebi morando aqui em Sydney que muita gente que vem de outros países (não só do Brasil, devo destacar) não mantêm a paixão pela nação de origem. Muitos  até se auto-intitulam australianos, e bom, se a Austrália o acolheu melhor do que seu país de berço, compreendo, apesar de não concordar.

O que não me desce é quem vem, vira as costas para o próprio país e ajuda a denegrir a imagem daquele como se tivesse, da noite para o dia, se tornado australiano (e olha que nem os verdadeiros falam mal do Brasil como os brasileiros)

Os problemas existem sim. Estão lá, no Brasil, para todo mundo ver, mas disseminar mensagens de negatividade e manchar ainda mais a nossa imagem internacionalmente não ajuda nem ao Brasil e nem a você mesmo. Ou você acha mesmo que os australianos e o outros inúmeros povos que moram aqui irão respeitar como profissional e como pessoa, alguém que não respeita nem o próprio país?

Então, vai um pedido aos Brasileiros fora: párem de divulgar os pontos negativos do Brasil! Se você não pode ajudar, pelo menos não atrapalhe. Jornais do mundo todo já se encarregam de nos atormentar com matérias simplistas que muitas vezes não fazem uma interpretação mais aprofundada dos nossos problemas, então não seja você, um divulgador deste tipo de mensagem.

Se posicione. Defenda o Brasil quando possível. Argumente contra se achar necessário. Copa do Mundo e Olimpíadas vem aí e ainda que alguns não concordem, é um momento crucial, em que os olhos do mundo estarão voltados para o nosso país. Uma infinidade de pessoas têm trabalhado e ainda continuará o trabalho árduo de divulgar a imagem do Brasil pelo mundo, enquanto outros, seja por inocência ou indiferença, têm atrapalhado e muito este processo espalhando notinhas de jornais estrangeiros que só destacam nossos piores pesadelos.

Para aqueles que tiveram boa intenção na divulgação dos fatos, minhas desculpas e minha opinião: este tipo de postura não ajuda, só atrapalha. A imagem do seu país se reflete não somente na forma como as pessoas te olham depois que você diz qual é a sua nacionalidade, mas na forma em que você e seus compatriotas vêem a si mesmos e se posicionam diante do mundo.

Como já dizia a minha mãe, roupa suja se lava em casa!

Diálogo com uma amiga aussie :

Australiana:  _Nossa, tenho um amigo (australiano) que está morando no Rio de Janeiro e ele tem mandado fotos terríveis da guerra lá. Ele disse que a polícia invadiu as favelas atirando nas pessoas, assim, do nada! Achei um absurdo!

Eu: _ Bom, não é bem isso que está acontecendo. A troca de tiros é entre policiais e traficantes de drogas. É uma ação dos governos estadual e federal para reestabelecer o poder do estado de direito dentro dos morros, dominados pelos traficantes (e milícias). Assim como vocês tem traficantes aqui que dominam Kings Cross, nós temos lá, nas favelas.

Australiana:_ Ahh, meu amigo não falou nada sobre traficantes. Fiquei achando meio fora de contexto mesmo as fotos que ele enviou.

Eu: _ Que tipo de fotos ele te enviou?

Australiana: _ Nossa, ele enviou fotos de uns caras, acho que criminosos, todos vestidos de preto e com fuzis nas mãos, dentro das favelas. Muito assustador!

Eu: _ Hum, pois é. Os caras de preto não são criminosos, são o BOPE. Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio, são treinados para este tipo de operação.

Australiana: _ Ahh, entendi… …

Eu: _ Mas seu amigo está lá e não entende o que está acontecendo?

Australiana: _Ah, acho que ele está querendo alertar o mundo todo sobre o problema no Rio, mas não sei se ele entende a fundo o que ocorre lá. Aliás, tem algo que a gente possa fazer para ajudar, assim, como dar dinheiro?

Eu: _ Bom, tem. Se interessar em saber a real situação e disseminar as informações corretamente já ajuda bastante.

Australiana: _ É, acho que esse meu amigo devia parar de distribuir estas fotos para todo mundo né? Já que ele não parece  entender o que está acontecendo de fato.

Eu:_ É. Seria mais respeitoso da parte dele. Se ele não entende direito o que está se passando, melhor parar de denegrir a imagem do meu país.

….

Share